quinta-feira, 1 de setembro de 2011

Caso Guerreiro: A expulsão de um excluído?

Foto: ClicRBS

                                TRIBUNA LIVRE

A cada dia que passa, a cada dia que aprofundo-me nas questões do Grêmio fico mais espantado.
Hoje, primeiro de setembro, dez anos do caso Guerreiro ainda discute-se este assunto. Assunto ao qual, mais uma vez, os nobres membros do Conselho Deliberativo, jogaram para baixo do tapete uma questão importante, eximindo-se da responsabilidade de decidir sobre o caso, permitindo que o nome do Grêmio continue sendo achincalhado dentro das delegacias de polícia e comentado em todos os cantos do Rio Grande.
Pois bem, ou sou louco, ou todos discutem algo que não existe.
Sessenta membros de um grupo político do Clube aglomeram-se (de forma absolutamente louvável) no pátio do estádio Olímpico forçando que os Conselheiros, pelo menos uma vez, decidam algo, enquanto este mesmo Conselho não sabe se absolve ou condena o ex-Presidente José Alberto Guerreiro.
Pois isso é patético.
Como pode-se expulsar alguém que não faz mais parte do Conselho Deliberativo do Clube?
É isso mesmo!
José Alberto Guerreiro não é mais membro do Conselho. Esta afirmativa deve-se ao próprio Estatuto do Clube.
Para não alongar o texto fico apenas focado no ano de 2011.
José Alberto Guerreiro esteve presente em duas das sete sessões do Conselho Deliberativo do corrente ano (dados até a sessão de 27/07), portanto faltando a cinco sessões sem justificar sua ausência.
Pois bem, o Estatuto do Grêmio Foot-Ball Porto Alegrense é claro em seu capítulo VI, artigo 66º, onde versa sobre a presença dos Conselheiros, caso do sr. José Alberto Guerreiro, dizendo: A presença dos Conselheiros  nas reuniões do Conselho Deliberativo é obrigatória, sendo facultativa a dos suplentes, que não terão direito a voto. (Parenteses meu. Como ainda não houve Assembléia Geral, não está permitida a votação por parte do suplente).
No seu §1º é explícito: O Conselheiro titular que, no decorrer de um ano civil, sem justificativa, faltar a três reuniões sucessivas, ou a cinco alternadas, perderá automaticamente a condição de membro do Conselho Deliberativo.
Portanto, o ex-Presidente José Alberto Guerreiro está excluído do Conselho, automaticamente.
Não há a necessidade de expulsar alguém que não faz mais parte do quadro.
Não necessita-se de discussão para saber se, juridicamente, José Alberto Guerreiro deve ser excluído ou não.
Bastaria apenas que, a mesa do Conselho Deliberativo, composta pelo Presidente Raul Régis de Freitas Lima e pelo vice-Presidente Milton Camargo cumprissem o que está escrito no Estatuto do Grêmio Foot-Ball Porto Alegrense.
Isso mesmo, apenas cumprir o Estatuto.
Se este requisito fosse preenchido não haveria a necessidade de se discutir o caso Guerreiro.
Então: Cumpra-se o Estatuto.

Fábio Mundstock
Sócio


14 comentários:

Marcelo Barcellos disse...

Fábio acabei de ler que o CD do Grêmio não aprovou o parecer da Comissão de Assuntos Legais e Estatutários, que recomendava a abertura do processo ético-disciplinar no caso ISL. Sinceramente não entendo mais nada, a coisa é bem pior do que se pensava.

Guido Spengler disse...

Fábio, o sr. Guerreiro está excluído duas vezes, uma tu descreveste acima e outra por ter sido condenado. O CD aprovou sua exclusão já há alguns anos e previsto também no mesmo Estatuto a que tu te referes, que infelizmente mais uma vez não é respeitado.
Pergunto porque nós temos Estatuto?
Penso que é hora de cobrarmos do Presidente do CD o cumprimento do Estatuto, sob pena de não ter moral para cobrar de seus pares. Eu conheço o Dr. Raul Regis é homem honrado e de bem, mas é hora de se impor como Presidente, como maior AUTORIDADE DO CLUBE.

paulo cesar disse...

um conselho de omissos???? é o pior conselho da história do gremio.

Antônio Soares disse...

O pior é que depois de 10 anos, 10 conselheiros se abstiveram de votar, ficaram em cima do muro.

Anônimo disse...

Que fedor!!!!!!!!

Emerson

FMJ disse...

O pior de tudo é que não fico espantando com tudo isso... isso é o comum no CD do Grêmio..... tenho que me acostumar a isso?... se algum dia eu for conselheiro ou participar de alguma forma com o clube, é assim que tenho que agir, parece que isso é o certo....estou aprendendo muito com a atual gestão do Grêmio, muito obrigado.

Alexandre Contessa disse...

O que ocorreu ontem no Conselho Deliberativo do Grêmio envergonha todos os gremistas, todos que têm alguma preocupação com a ética. É difícil de acreditar que o CD tenha se omitido de forma covarde, de forma a constranger todos os gremistas que se preocupam com a imagem pública do Clube.
Estes nobres Conselheiros, se tivessem vergonha na cara, viriam a público não só para dizer clara e abertamente como votaram, mas também para justificar seu voto! Como gremista, hoje me sinto envergonhado e constrangido, talvez mais até do que se tivesse perdido um jogo de futebol, pois não foi o time que foi achincalhado, mas sim a própria Instituição!
Saudações tricolores!!!

juarez disse...

o conselho poderia ter paredes acusticas e luzes coloridas para todos os conselheiros, confortavelmente, escutarem e aplaudirem o deputado e tambem ao pessoal da gremio empreendimentos.

Anônimo disse...

mas essas faltas também o excluem do conselho consultivo, do qual ele faz parte por ser ex-presidente???

Hélio Sassen Paz disse...

Discordo do amigo Fábio quando diz que foi "patético" cerca de 60 associados terem ido gritar palavras de ordem e acompanhar a reunião do CD: o Brasil carece de gente que mostre a sua cara, que tenha coragem de se expor. Toda grande manifestação começa assim, com pouca gente. Aos poucos, quando diferentes grupos sociais se dão conta acerca da causa, ou ela cresce, ou ela diminui.

Se a causa crescer, ela terá, SIM, a capacidade de convencer os "representantes" políticos democraticamente eleitos a agirem de outra forma - no mínimo para que sejam reeleitos.

Só de telefonema, e-mail, redes sociais na internet e reuniões em pequenas confrarias não há esforço para tentar mudar o mundo para melhor.

Nenhuma ação funciona apenas na base da razão: ela precisa ser acompanhada de emoção. A presença física é uma forma de mostrar que há inconformidade.

Essa morosidade e esse excesso de protocolos, de ritos de passagem, de hierarquias é que fizeram com que a chapa 2 ficasse de fora do CD.

Hoje, tenho conhecimento de causa pra afirmar que apenas quatro movimentos fariam sentido na política do Grêmio: o G4, o G7, a 3ª Via e um quarto grupo formado pelo que de melhor há nos outros três.

Enquanto isso não ocorrer, a formação das chapas seguirá o critério ou do mais velho, ou do que tem mais dinheiro, ou do que tem mais tempo no CD, ou do que tem mais tempo livre, ou do que grita mais alto, ou dos que engraxam melhor as sandálias dos próceres. Assim como estamos, seguiremos vivendo de alianças ideologicamente incompatíveis e de ações entre amigos.

Ah, como tem gente que gosta de uma carteirinha preta: esses, infelizmente, comem galinha e arrotam faisão. Figuras decorativas, pobres de espírito, marias-vão-com-as-outras.

E tem ainda o "culto do amador": basta apenas amar o Grêmio, ser meu amigo, ser meu médico, meu construtor, meu advogado, meu vizinho ou filho do amigo do meu pai. Vai lá, "bruxo"! Tu és gremistão. Então, podes pegar as categorias de base, a escolinha, o Quadro Social… Tu tens o "pelo peitudo", então, podes ser diretor de futebol pra chutar a porta do vestiário e encher esses "boleiros analfabetos" de perdigotos!

Pra aquele "caga-regras" parar de me encher o saco, manda ele cuidar dos portões.

O Grêmio, infelizmente, salvo raríssimas e extremamente honrosas exceções, teve como regra esse modelo de gestão nada condizente com um clube ou com uma empresa séria.

Enquanto isso, do outro lado, eles passaram cinco anos com João Paulo Medina e hoje, tornaram-se uma potência continental. O Grêmio, por sua vez, não passa de um clube MÉDIO com uma torcida ENORME e um PASSADO CADA VEZ MAIS DISTANTE DE GLÓRIAS.

Fábio Mundstock disse...

Hélio,

Não disse ser patético o manifesto e sim votar algo que não deveria ser votado se o estatuto fosse obedecido.
Respeito muito o Grêmio do Prata, tanto é que disse ser uma "absolutamente louvável".
Não me referi a ação do Movimento.

Hélio Sassen Paz disse...

Só pra registrar a todos: o Fábio me ligou há pouco e, então, pudemos esclarecer juntos o seguinte:

1 O parágrafo em que o Fábio louvou a atitude da manifestação mas, por outro lado, considerou-a patética foi uma ambiguidade que me levou a interpretá-la dessa forma;

2 A não ser que algum fato novo que eu considere favorável ocorra, não faço mais parte do Grêmio do Prata. De qualquer forma, o movimento trabalhou a partir de um núcleo jurídico competente e tenaz e de um trabalho de divulgação bastante insistente e foi quem mais levou representantes ontem ao pátio do Olímpico. O desprendimento e a coragem da gurizada precisam ser louvados;

3 Reitero a amizade, o carinho o respeito e a harmonia perante todo o MGAT. Todavia, hoje percebo que é fundamental deixar marcado que o clube só tem uma chance de ser melhor do que nos seus melhores anos se houver quatro chapas na próxima eleição - de preferência, que cada chapa seja formada por um único movimento, já que os 14 ora existentes não significam grandes diferenças ideológicas dentro das alianças que se formam.

Por exemplo: G4 em um lado, G7 em outro, 3ª Via em outro e um quarto movimento/chapa formado por dissidentes sem ranço e com uma grande agenda em comum vindos dos três anteriores.

Ou isso, ou todos precisam se reciclar a partir de nomes e - sobretudo - da superação de seus pontos fracos mais claros em termos técnicos, políticos e ideológicos.

[]'s,
Hélio

Guido Spengler disse...

Hélio, seja bem-vindo aos nossos comentários sempre acrescentas com tua sapiência.
Quanto te referes aos grupos eu penso um pouco diferente.
Devemos nos reunir com as mais diversas matizes e elaborar um grande projeto de GESTÃO para o futuro do Grêmio.
Sem olhar a que grupo pertence, tendo boa vontade em ajudar na elaboração do projeto está dentro.
Neste momento não devemmos analisar pessoas e nem futuros membros de Administração e sim convergir com idéias.
Temos um ano para elaborar este projeto. Não podemos peder tempo nem dividir, precisamos aglutinar.
Caso insistirmos com picuínhas, como até agora, o tempo passa e novamente teremos eleições decididas em cima do grito epidérmico da emoção.
Este projeto deverá vir com a presença do torcedor. Sem a imposição da vontade de algum "cacique".
Coloco-me a disposição.

Anônimo disse...

Guido Spengler: acho que isso ja esta sendo tentado via forum de debates, que reune representantes de todos os grupos.